sábado, 19 de março de 2011

Diário de viagem: Londres, parte 1


Quando vamos a algum lugar tão longe e cujo acesso requer um gasto considerável, não imaginamos voltar tão cedo. Mas às vezes a combinações de situações e acasos da vida nos leva de voltam a caminhos já percorridos. Eu nunca imaginava voltar tão cedo a Londres, mas quando percebi, já estava sentindo a fria brisa da manhã londrina, caminhando por suas ruas com um café na mão, pelos parques em névoa, lendo o London Evening Standard no metrô a caminho de volta para a Great Portland Street. E assim foi durante duas semanas, suficientes para eu me apaixonar ainda mais pela cidade.

Londres está toda em reforma: a cidade está tomada por obras em preparação para os jogos olímpicos de 2012. Novas estações de metrô, linhas de trem, mudanças em praças e ruas, tudo para deixar as portas abertas para as milhares de pessoas que vão invadir a Inglaterra no ano que vem.
Apesar de ser quase final de inverno, o tempo estava frio, muito frio. Pela manhã o ar era gelado, cortante. Durante o dia, melhorava um pouco, mas como anoitecia muito cedo e praticamente o sol não dava as caras, o frio era constante. E eu não resisti, peguei uma gripe e me obriguei a comprar remédios na Boots e no Tesco, pra poder ficar em pé. Mesmo assim, não me deixei abater e bati perna todos os dias da viagem, desde muito cedo até altas horas.

O hostel em que me hospedei (YHA Central London) é ótimo: boa localização (fica em um ponto em meio o Regent's Park e Oxford Street, região central da cidade), quartos com armários possíveis de serem trancados com cadeado, limpo (os banheiros dos quartos e dos corredores são limpos várias vezes por dia), silencioso pra dormir e com um clima bastante família (havia vários casais com crianças). Além disso, tinha algumas (não muitas) boas opções de comida e os atendentes eram sempre bem humorados e receptivos. 

A chegada em Londres foi com o vôo atrasado em dua horas e uma recepção não muito amigável na imigração. O senhor que me atendeu queria que eu mostrasse todas as evidências possíveis que eu não tava indo pra ficar, inclusive que provasse que eu realmente trabalhava na empresa em que trabalho. Passada a conversa, vi finalmente a luz do dia (que logo anoiteceria) e depois de um bom tempo na Picadilly Line até King's Kross e uma conexão na Central Line até a Great Portland, estava finalmente instalado. Apesar do cansaço, ainda rolou um jantarzinho no Picadilly Circus, a famosa praça com seu chafariz em que muitas pessoas sentam-se e tiram fotos todos os dias, os seus painéis luminosos, e a estátua do deus Eros, ponto central de encontros e caminho para vários pontos da cidade.
Na manhã seguinte comecei minhas caminhas em direção ao Soho e suas ruas estreitas, lotadas de bares, baladas, lojinhas, cinemas, teatros etc. Incrível lugar que cheira à boemia (agora que estou lendo um livro chamado London Underground, descobri que desde o final da Segunda Guerra o bairro é fervo boêmio, com história marcada de muitos personagens e pubs). Uma delícia se perder por ali, lugar que voltei muitas vezes depois. Também passei por Chinatown, reduto chinês no Soho, com suas várias casas de massagens e restaurantes com comida não muito atrativa.
Fui então à Trafalgar Square, a praça super movimentada com muitos turistas ou londoners sentados para conversar, com a National Gallery e a National Portrait ao fundo. A praça tem seu charme e é um lugar que adoro na cidade, seja pelo seu "clima" ou simplesmente para ficar sentado observando o movimento. Aproveitei para entrar na National Gallery e visitar novamente algumas de suas salas, como a em que estão alguns quadros do Van Gogh, como Os Girassóis. De lá, fui conhecer a National Portrait Gallery e gostei de ver as pinturas e retratos de desde séculos atrás até o ano passado. À tarde também andei pelas charmosas ruas do Convent Garden e também pela Leicester Square, praticamente fechada em razão de uma grande reforma em andamento, além de uma parada para um café no Paul, ótima rede francesa famosa pelos seus pães e doces, comidinhas que aprendi a apreciar desde 2008. Não necessariamente na mesma ordem, também fui em direção ao rio Tâmisa, passando pelo lindo Parlamento e a London Eye, famosa roda gigante na qual já tive a oportunidade de ir e aproveitar a sua linda vista.



O dia seguinte começou com uma caminhada pelo Regent's Park, bem próximo ao hostel. Estava muito frio e cheio de névoa, talvez pelo horário, por volta das 8 da manhã. A dimensão do parque impressiona: foram minutos de caminhada e demorava para chegar ao norte, onde fica o London Zoo. Saí de lá e fui à Baker Street a pé. Somente passei em frente ao Madame Tussauds e ao Sherlock Holmes Museum. São lugares legais de visitar, mas sentia que ainda não era hora de voltar ali. Queria aproveitar o tempo para ver novas coisas. Dei uma passadinha na loja dos Beatles, com seus preços nada convidativos.
 
O almoço foi sanduichinho do Tesco Express e a tarde começou com uma visita ao Hyde Park. Havia várias pessoas passeando, caminhando ou tomando um café por lá, apesar do ar gelado. Foi uma boa parada para descansar as pernas e observar os bichos e a tranquilidade do parque em meio à grande cidade.

Do Hyde Park veio uma longa caminhada pela Bayswater Road, passando pela Queensway e suas várias lojas de souvenirs e restaurantes, redondeza onde me hospedei da outra vez. Parada pelo Starbucks pra um cafezinho (uma das incontáveis vezes que fiz isso durante a minha jornada inglesa) e aí fui a Notting Hill e suas charmosas ruas. Foi hora de explorar a Portobello Road, sua feirinha e várias lojas muito legais. É uma pena que não consegui voltar lá durante a minha estada (numa próxima viagem a Londres, se Deus quiser, a rua é destino certo), mas já foi ótimo passear ali.

À noite voltei ao Soho para terminar um dia em um de seus pubs, e os pints de Stella com estômago vazio não caíram muito bem... Mas o dia seguinte reservava uma pequena viagem para lugares incríveis e ainda não desvendados por mim... 

2 comentários:

onewaymonologue disse...

só fui uma vez a Londres, numa época até mais fria que a sua, e também adorei a cidade. Quero voltar lá, provavelmente quando eu já estiver na França. dicas anotadas! :)

Vanessa Argenton disse...

Nossa Gu, que delícia ler o teu texto... é o tipo de texto que transporta a gente pro lugar, e vamos sentindo contigo o ar gelado e as caminhadas (incluindo o cansaço).. ufa! Que vontade de ter vivido isso tudo contigo lá!!! Vamos combinar umas férias juntos?

Beijoossssssss